A coragem de ensinar: explorando a paisagem interior da vida de um professor
Prefácio do autor para a edição brasileira
Para mim, uma das alegrias de ser escritor é ver meus livros criarem vida própria, irem a lugares e fazerem coisas que eu não poderia ter imaginado para eles. Nesse sentido, ser escritor se assemelha um pouco a ser pai: você faz o melhor que pode ao criar o seu filho, ou ao escrever um livro, e então o solta no mundo para observá-lo seguir seu próprio destino. Desde sua publicação original, em 1987 — uma edição de décimo aniversário foi publicada em 1997 — o livro alcançou muito mais do que os leitores de faculdades e universidades que eu tinha em mente quando o escrevi. Ele foi usado por educadores de ensino fundamental e médio, professores universitários da área de comércio, diretores de programas de residência médica, pessoas que preparam personal coaches, professores que dão aulas principalmente online e muitos, muitos outros. O livro também cruzou fronteiras nacionais, tendo sido traduzido para japonês, coreano, chinês tradicional, chinês simplificado, indonésio, eslovaco e agora para o português. Enquanto observava este livro cruzar vários tipos de fronteiras, lembrei-me de que, no mundo todo, em todos os níveis educacionais, professores e líderes da área da educação têm muito em comum. Eles compartilham a aspiração de fazer um bom trabalho com seus alunos, não apenas para dar-lhes o domínio de um conjunto de conhecimentos ou técnicas, mas para inspirá-los com o amor pela aprendizagem e ajudá-los a viver vidas mais bem-sucedidas. Infelizmente, eles também têm obstáculos em comum para alcançar suas aspirações. Alguns desses obstáculos são exteriores; por exemplo, condições sociais que fazem os alunos chegarem à escola despreparados ou incapazes de aprender, ou condições institucionais que minam o moral dos professores com regulamentos que têm muito mais a ver com política do que com um bom trabalho com os alunos. E alguns desses obstáculos à boa prática docente são encontrados dentro daqueles que ensinam; por exemplo, medos que nos impedem de correr riscos pedagógicos criativos, ou o impulso competitivo que nos impede de nos unirmos aos nossos colegas em uma “comunidade de prática” cheia de recursos. Como o subtítulo deste livro sugere — explorando a paisagem interior da vida de um professor — minha ênfase aqui está nos obstáculos encontrados dentro de nós, obstáculos aos quais temos acesso imediato e poder interior para superar. Mas essa abordagem não ignora as condições exteriores que nos atrapalham. Ao contrário, superar esses obstáculos exteriores depende de qualidades interiores como a coragem: a coragem de confrontar as condições que demasiadas vezes frustram os bons professores e tiram dos alunos oportunidades vitais de aprender, crescer e ser útil ao mundo. Dou as boas-vindas aos meus novos leitores brasileiros nesta exploração das paisagens interiores e exteriores da antiga busca humana chamada ensino-aprendizagem. Sou grato pelo seu compromisso de ensinar em qualquer nível, e pela oportunidade que esta tradução me dá de aprender com vocês.
Parker J. Palmer
Madison, Wisconsin
5 de março de 2012
O livro Aula Nota 10 é um grande sucesso de vendas e repercussão, aqui e lá fora.Aqui, em seu primeiro ano de vida, o livro já chegou à quarta edição e temos orgulho de seus resultados. Mas tem dias em que, ao percebermos o impacto da obra na vida de cada um dos educadores, ficamos ainda mais orgulhosos.
É o caso, por exemplo, de quando recebemos o comentário de Abel Sidney, escritor e educador de Porto Velho, Rondônia.
“Já iniciei a leitura desta obra e a recomendo ‘entusiasticamente’!!
Um dado interessante: a discussão em torno da aplicação das técnicas são
muito ricas sob diversos aspectos. Não se trata de mais um ‘manual’ ou um
‘conjunto de receitas’, mas de indicações precisas com discussões bem
arranjadas e amarradas. Leiam!”
Abel explica o porquê do entusiasmo com Aula Nota 10:
“Ouso dizer que esta obra, depois das primeiras linhas, causou uma mudança significativa na minha vida de escritor/educador – e olhe que ainda não passei da página 65.
Sinais da mudança:
1) o desejo de voltar à sala de aula (fui professor universitário por quase uma década)
2) a vontade de transformar o livro em capacitação – cursos, seminários, oficinas.
3) a pretensão de casar algumas das ideias coligidas pelo Doug ao nosso “programa livro-carta-mural de incentivo à leitura e produção textual”, pois sabemos (e não é novidade alguma) que não é possível qualquer ação educacional com professores des-qualificados/interessados…
4) voltar a estudar inglês para poder me comunicar sem embaraços com os educadores americanos, principalmente das escolas UnCommons Schools…:))
Parece doideira mas tudo isso me passou pela cabeça.”
Ficamos felizes que um livro nosso seja capaz de gerar tanta inspiração. Mais feliz ainda porque a obra tem sido adotada por diversas prefeituras, o que significa que, em breve, cada vez mais municípios terão professores entusiasmados e mais capacitados. A educação de nosso país só tem a ganhar.
Obrigada Abel e todos os educadores Nota 10!
Para saber mais sobre o livro ou comprar, clique aqui!
NOVIDADE: Para folhear as primeiras páginas do livro, clique aqui e depois em “Look Inside”
Doug Lemov é diretor-executivo da Uncommon Schools e supervisor da rede de escolas True North das cidades de Rochester e Troy, norte do estado de Nova York. É capacitor dos professores da rede Uncommon Schools e de outras escolas nos Estados Unidos. Foi presidente da School Performance, organização para a utilização de dados para a tomada de decisão nas escolas, fundou e dirigiu a Pacific Rim Academy e foi professor de Inglês e História na universidade e ensino médio e fundamental.
Formou-se no Hamilton College, fez mestrado na Universidade Indiana e MBA na Harvard Business School.
Seu site é www.douglemov.com