O caderno Eu & fim de semana do Valor Economico de hoje tem um belo artigo de André Lara Resende falando sobre as questões do bem-estar e da satisfação com um enfoque para políticas públicas, mas perfeitamente adaptável para a literatura e o que ela pode fazer pelos seres humanos. O artigo avalia até quando o dinheiro faz diferença na percepção de bem-estar e vai limpando os conceitos, separando o que é externo do que é interno, comparando o que a memória guarda para si, vale ler. Minha sugestão é que você selecione bons livros e parta deles para expandir essa interpretação de bem-estar e realização. Vou falar do meu livro, Eu não sei ter. Justiniano é um executivo muito bem-sucedido para vários padrões, nem tanto para os seus, chegou a uma importante diretoria de multinacional, se vê sem perspectivas de ser o presidente, está insatisfeito embora viva de forma confortável, desfrutando dos benefícios de uma cidade como São Paulo. Em relação às pessoas, encontra maiores dificuldades e daí talvez a maior explicação de sua insatisfação, não encontra com quem desenvolver um relacionamento sério e duradouro, não sabe se de fato procura isso, mas tem a certeza que encara um vazio, não se vê, como sugere o artigo, rodeado por aqueles de quem gosta e gostam dele. Em compensação deixa claro que titubeia diante da opção de “se dar bem ganhando ou ver os amigos perdendo”. Ele também engrossa o coro dos que arriscam quando não tem nada a perder e defendem-se como loucos diante de uma ameaça. Justiniano começa a questionar a ambição, parecendo prever que como apontou Lara Resende, “uma sociedade de ambiciosos não tem apenas o bem-estar vivido inferior ao de uma sociedade menos ambiciosa, mas também o bem-estar percebido, pois o ganho dos bem-sucedidos é mais do que compensado pela perda dos malsucedidos”. Afinal, ele sabe ou não sabe ter? Aí terá que ler meu livro… Se quiser comprar ou saber mais sobre ele, clique aqui.
Marcelo Candido, escritor e sócio da Livros de Safra
A Livraria da Travessa do Shopping Leblon no Rio de Janeiro realizará uma espécie de semana Beat, serão 4 bate-papos que partirão dos 15 anos sem Allen Ginsberg e pararão sabe-se lá onde.
Nosso autor Roberto Bicelli falará sobre os beatniks brasileiros. Para os cariocas ou visitantes do Rio, vale conferir, dia 10/4. Quem quiser saber mais ou comprar o livro Ego trip, é só clicar aqui.
O nosso tão aguardado lançamento do Virgiliae, Confetes na Eira, está pronto. Chegou lindo e promissor da gráfica e já está sendo distribuído. A autora, Franca Treur, vem para o Brasil no final de abril para participar da Flipoços – Festival Literário de Poços de Caldas – e de um evento em São Paulo. Mais detalhes serão publicados aqui em breve. Mas já dá para comprar e ler o livro para entender porque o romance da jovem escritora faz tanto sucesso.
Para saber mais sobre o livro, ver o que já saiu na mídia ou comprar, clique aqui. A coragem de ensinar: explorando a paisagem interior da vida de um professor
Prefácio do autor para a edição brasileira
Para mim, uma das alegrias de ser escritor é ver meus livros criarem vida própria, irem a lugares e fazerem coisas que eu não poderia ter imaginado para eles. Nesse sentido, ser escritor se assemelha um pouco a ser pai: você faz o melhor que pode ao criar o seu filho, ou ao escrever um livro, e então o solta no mundo para observá-lo seguir seu próprio destino. Desde sua publicação original, em 1987 — uma edição de décimo aniversário foi publicada em 1997 — o livro alcançou muito mais do que os leitores de faculdades e universidades que eu tinha em mente quando o escrevi. Ele foi usado por educadores de ensino fundamental e médio, professores universitários da área de comércio, diretores de programas de residência médica, pessoas que preparam personal coaches, professores que dão aulas principalmente online e muitos, muitos outros. O livro também cruzou fronteiras nacionais, tendo sido traduzido para japonês, coreano, chinês tradicional, chinês simplificado, indonésio, eslovaco e agora para o português. Enquanto observava este livro cruzar vários tipos de fronteiras, lembrei-me de que, no mundo todo, em todos os níveis educacionais, professores e líderes da área da educação têm muito em comum. Eles compartilham a aspiração de fazer um bom trabalho com seus alunos, não apenas para dar-lhes o domínio de um conjunto de conhecimentos ou técnicas, mas para inspirá-los com o amor pela aprendizagem e ajudá-los a viver vidas mais bem-sucedidas. Infelizmente, eles também têm obstáculos em comum para alcançar suas aspirações. Alguns desses obstáculos são exteriores; por exemplo, condições sociais que fazem os alunos chegarem à escola despreparados ou incapazes de aprender, ou condições institucionais que minam o moral dos professores com regulamentos que têm muito mais a ver com política do que com um bom trabalho com os alunos. E alguns desses obstáculos à boa prática docente são encontrados dentro daqueles que ensinam; por exemplo, medos que nos impedem de correr riscos pedagógicos criativos, ou o impulso competitivo que nos impede de nos unirmos aos nossos colegas em uma “comunidade de prática” cheia de recursos. Como o subtítulo deste livro sugere — explorando a paisagem interior da vida de um professor — minha ênfase aqui está nos obstáculos encontrados dentro de nós, obstáculos aos quais temos acesso imediato e poder interior para superar. Mas essa abordagem não ignora as condições exteriores que nos atrapalham. Ao contrário, superar esses obstáculos exteriores depende de qualidades interiores como a coragem: a coragem de confrontar as condições que demasiadas vezes frustram os bons professores e tiram dos alunos oportunidades vitais de aprender, crescer e ser útil ao mundo. Dou as boas-vindas aos meus novos leitores brasileiros nesta exploração das paisagens interiores e exteriores da antiga busca humana chamada ensino-aprendizagem. Sou grato pelo seu compromisso de ensinar em qualquer nível, e pela oportunidade que esta tradução me dá de aprender com vocês.
Parker J. Palmer
Madison, Wisconsin
5 de março de 2012