Quem é leitor da revista Piauí está acostumado a se deliciar com textos muito bons sobre assuntos, vá lá, no mínimo inusitados. Nesta edição de carnaval, ops, de fevereiro, há uma matéria das mais interessantes sobre São João do Paiaiá, Paiaia para o Google, e sua biblioteca, obra de um filho que cresceu na vida e foi para o Rio de Janeiro e sem saber o que fazer com seus livros, a avaliação o desanimou, resolveu guardá-los em Paiaiá pelo metro quadrado não ter atraído tantos corretores quanto os das praias cariocas.
O fato é que o povoado do município baiano de Nova Soure, tem 500 habitantes e uma biblioteca com 62 mil títulos. Coisas do Brasil e, neste caso, coisas positivas do Brasil… Digite por exemplo São João do Paiaia no Google, a tal biblioteca aparece como uma das entradas principais, ou seja, há um lugar no Brasil onde os livros são importantes, responsáveis pelo destaque. O texto da Piauí merece ser lido, se gosta de livros, leia-o, talvez se inspire e lembre de seu povoado natal e daqui há alguns anos, o número de bibliotecas no Brasil saia do traço. Ah, seria injusto não dar os créditos ao Geraldo Moreira Prado, o iniciador da biblioteca que também é conhecida por Biblioteca Comunitária Maria das Neves Prado.
Se você comprar a Piauí, achamos que deve, não deixe de ler também a avaliação de Mario Sergio Conti sobre A procura do tempo perdido (não há explicação alguma de porque ignorou o título de todas as traduções disponíveis para o Português: Em busca do tempo perdido) e as obras que resolveram avaliar tecnicamente a contribuição singela de Marcel Proust para a literatura. Alguns dados curiosos: existem 18.322 vocábulos, 2975 nomes próprios nas páginas escritas por Proust e somente um livro de 1644 páginas, como o Le Vocabulaire de Proust, poderia chegar a essas avaliações. Sim, importantes, mas o que faz alguém passar tanto tempo de uma vida avaliando, decupando, dissecando a obra de outro alguém, por mais fundamental que tenha sido? O que dá mais prazer? Produzir e ser reconhecido por isso ou se debruçar sobre a produção de alguém e se tornar um grande especialista? Leia o artigo de Conti.
Leia também a explicação do escritor Ricardo Lísias e sua experiência com a corrida e a compatibilidade, ou melhor, a complementariedade entre a corrida e a literatura. Talvez você não corra a São Silvestre em 1 hora e 25 minutos, talvez você não consiga publicar um romance, mas com certeza questionará se vale mais a pena conviver com o seu iPod ou com suas ideias enquanto corre…
O logotipo acima foi criado pela minha mulher e sócia, em cima de um conceito que eu criei. A Negócio Editora foi minha primeira experiência empreendedora, foi muito bem-sucedida, como esquecer que na primeira lista de livros mais vendidos divulgados pela revista Exame, 4 dos 10 títulos vinham de uma jovem e para os desavisados, desconhecida, editora. Ou então como esquecer de ter revivido um clássico como Meus anos com a General Motors do Alfred Sloan, ou então ter contribuído para que a justiça fosse feita ao grande Fernando de Barros, que depois do sucesso do seu Elegância, até linha de camisas passou a ter. Ou de ser acusado de ter chamado Jack Welch de o executivo do século, no subtítulo de uma biografia não autorizada sua, e ver dois anos depois, tantos veículos da imprensa internacional dando a ele o tal título. Ou ainda, como esquecer a cara de susto da diretora de direitos da McGraw-Hill ao constatar que não havíamos pedido autorização ao todo poderoso para colocar uma caricatura dele na capa já que não tínhamos uma foto.
Foram vários livros e muitas histórias. Para Richard Edler, autor do best-seller Ah, se eu soubesse…, éramos os melhores editores do mundo. Compramos os direitos de um livro que vendera pouco mais de 10 mil cópias nos Estados Unidos e atingimos a expressiva marca de 300.000 cópias no Brasil. Muitos autores viraram amigos, apesar de eu mesmo divulgar por aí que a relação autor-editor é uma relação fadada a dar errado, se o autor tem família para ajudar a cobrar exposição nas lojas, tem também suas incoerências para sinalizar certa incoerência entre o que fala e escreve, muitos autores de não-ficção, criam personagens para si, como se fossem de ficção…
Tudo isso foi um tanto deixado para trás depois da venda da empresa e das marcas Negócio e Alegro para o grupo Elsevier. As marcas existiram alguns anos em companhia de marcas históricas internacionais, marcas com dezenas de anos mais velhas e acabaram sendo descontinuadas.
Hoje recebi de um livreiro uma cópia do comunicado que a Negócio Editora volta ao mercado, volta para ser uma opção mais competitiva do que o selo Campus, também da Elsevier, de quem foi uma concorrente incômoda por tanto tempo e depois viu seus novos proprietários não valorizarem sua imagem diante dos leitores. Bem-vinda Negócio Editora, terás aqui um pai que mantém por ti um carinho, mas que agora resolveu fazer o que não é possível com os filhos humanos, olhar pragmaticamente para seus novos filhos e partir para o ataque… Mas agora sou um editor com interesses mais amplos, mais selos, outros posicionamentos. Mas tenho certeza que a vida da Negócio Editora não será fácil, por mais competência e estrutura que tenha de sua nova família, encontrará aqui uma editora aguerrida e disposta a fazer produtos muito interessantes para captar os leitores. Livros da Da Boa Prosa ou da Virgiliae, nossos dois selos que também competem em negócio não darão folga. Agora tenho que competir com o meu próprio filho, que no mundo empresarial pode sim ser chamado de ex-filho.
Desejo ao selo Negócio sucesso, não mais do que irei lutar e colocar todo o talento da equipe da Livros de Safra para conseguir para os nossos livros. Mas, não posso negar, é sempre bom ver um fruto do seu trabalho resistindo ao tempo e nesses 10 anos de vida longe do pai original, ter força para voltar. Mas se de time de futebol não se muda, de posição editorial sim…
Marcelo Candido, escritor e sócio da Livros de Safra (fundador e criador do conceito da Negócio Editora)

A editora Livros de Safra tem a alegria de anunciar a parceria com nove blogs interessados e apaixonados por livros, assim como nós.
Por meio de um processo de seleção, conversamos com vários blogueiros, fuçamos diversos sites e, embora a escolha tenha sido difícil, escolhemos os que mais têma ver com nossos selos.
Essa iniciativa é só o primeiro passo para ficarmos cada vez mais perto de nossos leitores e dos essenciais blogueiros que, por meio da internet, conseguem espalhar o entusiasmo pela leitura como ninguém.
Nossos primeiros parceiros receberão, para começar, um kit com nossos títulos mais bacanas de 2011, escolhidos a dedo para cada um.
No entanto, se você também quer se tornar um blog parceiro da Livros de Safra e receber nossos lançamentos de 2012, escreva para: parcerias@livrosdesafra.com.br
Os selecionados são:
Bookeando
Burn Book
Coolture News
Guardiã da Meia-Noite
Leia 1 livro
Nanie’s World
Sucesso News
Taty’s Books
Up! Brasil
Sejam bem-vindos!
Amanhã será divulgado aqui no site a lista dos blogs selecionados para a parceria de divulgação da Livros de Safra.
A lista ainda é pequena – e quem disse que o que é pequeno não pode ser poderoso? – , mas tende a crescer cada vez mais, assim como a editora.
Os blogs escolhidos nessa primeira seleção receberão um kit com os nossos títulos mais expressivos de 2011. No entanto, mantemos as portas abertas para quem quiser fazer parceria conosco e receber, ainda quentinhos do forno, os nossos lançamentos de 2012.
Para se inscrever, mande email para parcerias@livrosde safra.com.br
A Revista da Folha de hoje, 12.02, publicou na sua coluna Fique em casa, editada por Manuel da Costa Pinto uma crítica do filme Um conto chinês, mais um sucesso argentino encabeçado por Ricardo Darín. O filme saiu há pouco na sua versão em DVD/Blue Ray, e nós aqui da editora já avisamos que está disputado nas locadoras.
Costa Pinto reforça o poder dos filmes argentinos recentes de dar complexidade a assuntos banais e criar personagens que nos atraem mais do que os dos filmes brazucas. Deu 3 estrêlas para o filme que fui bem criticado pelos especialistas. Mas reforçou as 4 estrelas já dadas na coluna para o nosso Um homem chamado Lobo, do nosso autor argentino Oliverio Coelho (se quiser saber mais ou comprar o livro no nosso site, clique aqui). Também deu a melhor cotação para o filme Abutres, de Pablo Tapero, com o mesmo Darín.
Você já ouviu falar de Enrique Peña Nieto? Se não, é porque não é mexicano, os mexicanos sabem quem ele é e até bem pouco tempo tinham a certeza de que ele seria seu próximo presidente, o homem era favorito disparado nas pesquisas.
Bonitão, casado com uma estrela de televisão, parecia/parece o perfil ideal para uma sociedade que cria mitos de forma parecida com a nossa, ou Brasil e México não são dois celeiros de novelas? O problema foi quando a campanha começou e o bonitão do Peña Nieto teve que abrir a boca, responder à entrevistas. Perguntado sobre livros que o marcaram o candidato, além de não ter lido algum ao longo da vida, não tinha preparado uma resposta, haja arrogância, limitou-se a trechos da Bíblia. Pelo visto, o cara nem a concursos de miss assistiu, se não teria saltado um O pequeno príncipe, com aquelas respostas padrão…
Caro Enrique Peña Nieto, caso precise de alguns livros para burilar a imagem, mande um email para site@livrosdesafra.com.br, nós lhe enviaremos alguns bons exemplares do nosso catálogo. Sim, eles estão em Português, mas o estrago na sua campanha está tão grande que vale o esforço para ler na língua irmã… Que sirva de lição para candidatos, tá na hora de abrir livros!
Nesta segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 o Teatro Municipal de São Paulo estará apagado, sem nenhuma programação, a semana começa só na quarta, dia 15, com a ópera de Villa-Lobos, Magdalena, ou seja, ainda dá tempo da elite paulistana aprontar algo em nome da Cultura, “honrar” alguns de seus antepassados e deixar um marco a ser lembrado décadas ou séculos depois. Afinal, não é para entrar para a posteridade que “rico” faz coisas?
Há 90 anos, numa mesma segunda-feira 13 de fevereiro, o mesmo teatro servia de palco para abertura de uma semana de arte moderna. Semana que repercute até hoje e foi fundamental para a cultura brasileira. Fundamental mas não suficiente, se fosse, ainda não estaríamos renegados a essa pobreza cultural a que nos vimos cercados.
Sugiro ao maestro Luís Gustavo Petri (sim, algumas iniciativas se concretizaram e merecem aplauso, além da orquestra municipal dirigirá também o Coro Infantil de Heliópolis), que entre com um pé de chinelo, homenageando o próprio maestro que causou, segundo o mesmo, involuntária polêmica, ao usar casaca e um pé de chinelo. Seria um ato para marcar a atitude dos que resolveram formalizar uma chacoalhada no horizonte cultural.
O ideal seria que outras iniciativas de maior alcance pudessem acontecer. Minha provocação à elite é mais uma convocação. Quem é o Paulo Prado de hoje? Que livro será reeditado em 2102? Retrato do Brasil – ensaio sobre a tristeza brasileira ou O C da questão – a trajetória do grande empresário que se apaixonou pela cultura brasileira? Nada contra empresários que cresçam, se tornem expoentes até mundiais. Só uma sugestão de que também olhem para a cultura, no mínimo, a vida deles será ainda mais rica e diversa, talvez ao se cercarem de artistas, possam dispensar os seguranças. Minha provocação à elite decorre da constatação de Arrigo Barnabé respondendo a uma comparação entre a Lira Paulistana, nome inspirado em Mário de Andrade, expoente da Semana de 1922, ao dizer que o Lira foi feito por pés-rapados, estudantes e não pela elite.
Se não der para organizar nada para a segunda, torçamos para que apareçam agitadores culturais desejosos de criar um calendário próprio e num futuro próximo.
No mínimo, fica a sugestão para que na semana que vem, todos nós dediquemos uma parte significativa do tempo para programas culturais ou ler livros!
Marcelo Candido, escritor e sócio da Livros de Safra
A revista Lunna publicou Gatos Sortudos – Histórias emocionantes de bichanos resgatados – como sugestão de leitura. O livro foi escrito pelas fundadoras da ONG Adote um Gatinho, Juliana Bussab e Susan Yamamoto, que juntas já resgataram quase 5 mil gatinhos. Gatos Sortudos é o relato da história de alguns desses bichanos, que escaparam do abandono e mudaram a vida de seus donos.
Para folhear as primeiras páginas do livro, ver o que já saiu na mídia ou comprar, clique aqui.