O logotipo acima foi criado pela minha mulher e sócia, em cima de um conceito que eu criei. A Negócio Editora foi minha primeira experiência empreendedora, foi muito bem-sucedida, como esquecer que na primeira lista de livros mais vendidos divulgados pela revista Exame, 4 dos 10 títulos vinham de uma jovem e para os desavisados, desconhecida, editora. Ou então como esquecer de ter revivido um clássico como Meus anos com a General Motors do Alfred Sloan, ou então ter contribuído para que a justiça fosse feita ao grande Fernando de Barros, que depois do sucesso do seu Elegância, até linha de camisas passou a ter. Ou de ser acusado de ter chamado Jack Welch de o executivo do século, no subtítulo de uma biografia não autorizada sua, e ver dois anos depois, tantos veículos da imprensa internacional dando a ele o tal título. Ou ainda, como esquecer a cara de susto da diretora de direitos da McGraw-Hill ao constatar que não havíamos pedido autorização ao todo poderoso para colocar uma caricatura dele na capa já que não tínhamos uma foto.
Foram vários livros e muitas histórias. Para Richard Edler, autor do best-seller Ah, se eu soubesse…, éramos os melhores editores do mundo. Compramos os direitos de um livro que vendera pouco mais de 10 mil cópias nos Estados Unidos e atingimos a expressiva marca de 300.000 cópias no Brasil. Muitos autores viraram amigos, apesar de eu mesmo divulgar por aí que a relação autor-editor é uma relação fadada a dar errado, se o autor tem família para ajudar a cobrar exposição nas lojas, tem também suas incoerências para sinalizar certa incoerência entre o que fala e escreve, muitos autores de não-ficção, criam personagens para si, como se fossem de ficção…
Tudo isso foi um tanto deixado para trás depois da venda da empresa e das marcas Negócio e Alegro para o grupo Elsevier. As marcas existiram alguns anos em companhia de marcas históricas internacionais, marcas com dezenas de anos mais velhas e acabaram sendo descontinuadas.
Hoje recebi de um livreiro uma cópia do comunicado que a Negócio Editora volta ao mercado, volta para ser uma opção mais competitiva do que o selo Campus, também da Elsevier, de quem foi uma concorrente incômoda por tanto tempo e depois viu seus novos proprietários não valorizarem sua imagem diante dos leitores. Bem-vinda Negócio Editora, terás aqui um pai que mantém por ti um carinho, mas que agora resolveu fazer o que não é possível com os filhos humanos, olhar pragmaticamente para seus novos filhos e partir para o ataque… Mas agora sou um editor com interesses mais amplos, mais selos, outros posicionamentos. Mas tenho certeza que a vida da Negócio Editora não será fácil, por mais competência e estrutura que tenha de sua nova família, encontrará aqui uma editora aguerrida e disposta a fazer produtos muito interessantes para captar os leitores. Livros da Da Boa Prosa ou da Virgiliae, nossos dois selos que também competem em negócio não darão folga. Agora tenho que competir com o meu próprio filho, que no mundo empresarial pode sim ser chamado de ex-filho.
Desejo ao selo Negócio sucesso, não mais do que irei lutar e colocar todo o talento da equipe da Livros de Safra para conseguir para os nossos livros. Mas, não posso negar, é sempre bom ver um fruto do seu trabalho resistindo ao tempo e nesses 10 anos de vida longe do pai original, ter força para voltar. Mas se de time de futebol não se muda, de posição editorial sim…
Marcelo Candido, escritor e sócio da Livros de Safra (fundador e criador do conceito da Negócio Editora)
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