Nesta segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 o Teatro Municipal de São Paulo estará apagado, sem nenhuma programação, a semana começa só na quarta, dia 15, com a ópera de Villa-Lobos, Magdalena, ou seja, ainda dá tempo da elite paulistana aprontar algo em nome da Cultura, “honrar” alguns de seus antepassados e deixar um marco a ser lembrado décadas ou séculos depois. Afinal, não é para entrar para a posteridade que “rico” faz coisas?
Há 90 anos, numa mesma segunda-feira 13 de fevereiro, o mesmo teatro servia de palco para abertura de uma semana de arte moderna. Semana que repercute até hoje e foi fundamental para a cultura brasileira. Fundamental mas não suficiente, se fosse, ainda não estaríamos renegados a essa pobreza cultural a que nos vimos cercados.
Sugiro ao maestro Luís Gustavo Petri (sim, algumas iniciativas se concretizaram e merecem aplauso, além da orquestra municipal dirigirá também o Coro Infantil de Heliópolis), que entre com um pé de chinelo, homenageando o próprio maestro que causou, segundo o mesmo, involuntária polêmica, ao usar casaca e um pé de chinelo. Seria um ato para marcar a atitude dos que resolveram formalizar uma chacoalhada no horizonte cultural.
O ideal seria que outras iniciativas de maior alcance pudessem acontecer. Minha provocação à elite é mais uma convocação. Quem é o Paulo Prado de hoje? Que livro será reeditado em 2102? Retrato do Brasil – ensaio sobre a tristeza brasileira ou O C da questão – a trajetória do grande empresário que se apaixonou pela cultura brasileira? Nada contra empresários que cresçam, se tornem expoentes até mundiais. Só uma sugestão de que também olhem para a cultura, no mínimo, a vida deles será ainda mais rica e diversa, talvez ao se cercarem de artistas, possam dispensar os seguranças. Minha provocação à elite decorre da constatação de Arrigo Barnabé respondendo a uma comparação entre a Lira Paulistana, nome inspirado em Mário de Andrade, expoente da Semana de 1922, ao dizer que o Lira foi feito por pés-rapados, estudantes e não pela elite.
Se não der para organizar nada para a segunda, torçamos para que apareçam agitadores culturais desejosos de criar um calendário próprio e num futuro próximo.
No mínimo, fica a sugestão para que na semana que vem, todos nós dediquemos uma parte significativa do tempo para programas culturais ou ler livros!
Marcelo Candido, escritor e sócio da Livros de Safra
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